Dossiê · Mistério em aberto

Colônia de Roanoke: os 115 colonos que sumiram e a palavra numa árvore

Ilha de Roanoke, Carolina do Norte · 1587 a 1590 · Leitura de 7 minutos

Poste de madeira desgastado numa floresta costeira da Carolina com a palavra CROATOAN entalhada fundo na madeira, vinhas cobrindo parte da inscrição, névoa entre pinheiros escuros ao anoitecer

Em 18 de agosto de 1590, o navio Hopewell ancorou ao largo da ilha de Roanoke, na costa da atual Carolina do Norte. A bordo estava o governador John White, que três anos antes tinha deixado ali 115 pessoas, entre elas sua filha Eleanor e sua neta Virginia Dare, a primeira criança inglesa nascida nas Américas.

White atravessou o mato até o forte e encontrou o perímetro vazio. As cabanas haviam sido desmontadas, os canhões enterrados, e não havia corpo nem sinal de luta. Numa paliçada, entalhada num poste, uma única palavra: CROATOAN.

Este artigo reúne o que se sabe com segurança sobre a colônia de Roanoke, o que a arqueologia recente encontrou e por que o destino dos 115 colonos segue sem prova direta.

O que é / quem foi

A colônia de Roanoke foi a segunda tentativa inglesa de fixar uma presença permanente na América do Norte. O grupo desapareceu por completo entre a última comunicação, em agosto de 1587, e o retorno de White, em agosto de 1590. Por causa do sumiço sem vestígios, o episódio ficou conhecido como a Colônia Perdida.

Os 115 colonos incluíam dezessete mulheres e onze crianças, um contingente pensado para se estabelecer de forma duradoura, não uma guarnição militar de passagem. A ausência de corpos, de cartas e de qualquer sinal de conflito é o núcleo do enigma até hoje.

A única pista deixada no forte foi a palavra CROATOAN, o nome da ilha vizinha, atual Hatteras, onde vivia um povo nativo aliado dos ingleses. Não havia a cruz maltesa que, pelo código combinado antes da partida, indicaria perigo.

Origem

A primeira tentativa inglesa na ilha, de 1585, liderada por Ralph Lane, fracassou em menos de um ano após conflitos com os nativos Secotan. O segundo grupo, organizado por Sir Walter Raleigh e liderado por John White como governador, chegou em julho de 1587 com as 115 pessoas.

O plano original era instalar a colônia na baía de Chesapeake, mais ao norte, mas o piloto Simão Fernandes recusou-se a seguir e desembarcou os colonos em Roanoke. Diante da escassez de suprimentos, o grupo pediu a White que voltasse à Inglaterra para buscar reforços. Ele partiu em agosto de 1587, com relutância, após combinar o código de mensagens na paliçada.

O retorno demorou três anos. A Armada Espanhola atacou em 1588 e requisitou todos os navios para a defesa. As duas primeiras tentativas de White fracassaram, uma delas quando corsários franceses capturaram seus barcos. Só em 1590 ele conseguiu voltar, a bordo de uma expedição de corso, para encontrar o forte deserto.

Linha do tempo da colônia de Roanoke

  1. Julho de 1587Os 115 colonos, liderados por John White, chegam a Roanoke após o piloto se recusar a seguir até Chesapeake.
  2. Agosto de 1587White parte para a Inglaterra em busca de suprimentos, deixando combinado o código de mensagens na paliçada.
  3. Agosto de 1590Ele volta e encontra o forte vazio, sem corpos, com a palavra CROATOAN entalhada num poste e sem a cruz que indicaria perigo.
  4. 2012A reanálise do mapa "La Virginea Pars", de White, revela sob um remendo de papel o desenho de um forte no chamado Site X, no rio Albemarle.
  5. 2020Uma escavação da East Carolina University no sítio de Hatteras acha artefatos europeus do fim do século XVI misturados a material nativo.

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O detalhe técnico

A leitura do código deixado no forte aponta para uma mudança planejada. CROATOAN nomeava a ilha do povo aliado, liderado por Manteo, que já tinha viajado à Inglaterra duas vezes. Pelo combinado, o nome gravado sem a cruz maltesa significava que os colonos haviam partido por vontade própria, sem perigo imediato.

A arqueologia moderna reforçou a pista de dispersão. Em 2012, a equipe de Eric Klingelhofer e Brent Lane usou imageamento multiespectral no mapa de White e descobriu, sob um remendo colado por cima, um forte numa localização diferente, no Site X, a cerca de 80 quilômetros a noroeste. Escavações no local entre 2012 e 2018 acharam cerâmica europeia do fim do século XVI.

Em 2020, a equipe da East Carolina University escavou o antigo sítio Croatoan, em Hatteras, e encontrou, em camadas do mesmo período, um anel de sinete, pedaços de espada e mosquete ingleses e restos de escrita em ardósia, misturados a material nativo. A presença de objetos europeus nos dois sítios é compatível com colonos absorvidos por populações locais.

Legado e interpretações

A evidência converge para uma explicação plausível, embora não confirmável: os colonos se dispersaram. Parte pode ter seguido para Croatoan, conforme a inscrição, e parte para o interior, em direção ao Site X. Diante da fome e da tensão com grupos hostis, integrar-se a comunidades nativas teria sido uma estratégia de sobrevivência racional.

A hipótese de massacre carece de evidência. Não há restos humanos europeus identificados na região, não há relato nativo contemporâneo de conflito de grande escala, e o forte não mostra sinais de incêndio ou destruição. O problema oposto também persiste: os artefatos europeus podem ter chegado por troca comercial, e nenhum osso com DNA europeu em contexto nativo do século XVI foi achado até agora.

Sobra uma pergunta mais difícil, a de por que a integração não deixou registro. Se 115 pessoas foram acolhidas por nativos, houve casamentos, filhos e transmissão de habilidades. O explorador John Lawson, em 1709, ouviu de moradores de Hatteras que vários ancestrais eram brancos e "sabiam ler em um livro". Grande parte do forte de Roanoke, hoje, está debaixo d'água por erosão costeira, e o poste com a inscrição desapareceu séculos atrás.

Perguntas frequentes

O que aconteceu com a colônia de Roanoke?

A hipótese mais sustentada é a dispersão: os colonos teriam abandonado o forte por vontade própria e se integrado a povos nativos, parte em Croatoan e parte no interior, na região do Site X. A arqueologia recente reforça o cenário, mas nenhuma prova direta, como restos humanos europeus em contexto nativo, foi encontrada.

O que significa a palavra Croatoan?

Croatoan era o nome da ilha vizinha, atual Hatteras, onde vivia um povo nativo aliado dos ingleses. Pelo código combinado antes da partida de White, o nome gravado sem uma cruz maltesa indicava que os colonos haviam se mudado para lá de forma voluntária, sem estar em perigo imediato.

A colônia perdida de Roanoke já foi encontrada?

Não de modo definitivo. Escavações no Site X e em Hatteras acharam artefatos europeus do fim do século XVI compatíveis com a presença dos colonos, o que aponta para dispersão e integração. Ainda assim, os achados são circunstanciais e não confirmam sozinhos para onde foram as 115 pessoas.

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